domingo, 18 de agosto de 2013

A Liturgia Anglicana


A Liturgia Anglicana

                                                    Ven. Arc. Rev. Carlos Alberto (*)
 
Obs.: lembramos que é um modelo brasileiro de LOC adaptado, mas segue a tradição anglicana

A Liturgia Anglicana pode ser divida em quatro partes: (1) os Ritos Iniciais; (2) a Liturgia da Palavra; (3) a Liturgia Eucarística; e (4) os Ritos Finais. Há partes fixas, que se repetem a cada celebração, e partes móveis, que permitem outros modos de expressão diante de Deus.

1) Os Ritos Iniciais: começam com um cântico (ou Salmo) e a procissão de entrada; o sacerdote ocupa o seu lugar, saúda o povo, pronuncia as palavras de acolhida; conduz o povo à confissão de pecados e pronuncia a absolvição e a Coleta do Dia.

2) A Liturgia da Palavra: consta das leituras na seguinte ordem: Antigo Testamento, Salmo (seguido do Glória Patri se este não foi lido ao início da celebração), Novo Testamento e Evangelho. As leituras são determinadas pelo calendário litúrgico e são extraídas do Lecionário do LOCb (onde se segue a leitura chamada trienal: ano A, B e C, uma para cada domingo do mês). Em seguida, vem o sermão, o credo e as orações do povo.

3) A Liturgia Eucarística: no LOCb prescreve várias orações eucarísticas alternativas, em geral inicia com o ofertório (ofertas voluntárias, em espécie, e oferta dos elementos: Pão e Vinho, trazidos ao altar), Grande Oração Eucarística, Pai Nosso, Fração do Pão, Comunhão, Oração Pós Comunhão.

4) Os Ritos Finais: constam da despedida, da bênção e do envio ao mundo em missão.

 
RITOS INICIAIS

a) Acolhida: é uma saudação informal onde o oficiante dá as boas-vindas aos demais participantes da celebração. Faz a introdução ao tema, ao assunto do respectivo domingo dentro do Calendário do Ano Cristão. Introduz o povo no ambiente da celebração. Saúda os visitantes;

b) Saudação: trata-se de uma saudação formal e recíproca, onde o oficiante e comunidade saúdam-se. De acordo com rubricas, existem três formas: uma utilizada da Páscoa até o Pentecostes; outras durante a Quaresma e em outras ocasiões penitenciais; e a mais comum, para as outras ocasiões do ano;

c) Coleta pela Pureza: uma das únicas partes da longa série de orações acompanhando cerimônias privadas do celebrante que o Arcebispo Cranmer conservou ao compor o primeiro LOC (1549). Ela provém do Rito de Sarum. É uma coleta exclusivamente anglicana (mas que pode ser encontrada nas orações luteranas para os oficiantes);

d) Gloria in Excelsis: no século VI era usado, assim como o Te Deum Laudamus, na Oração Matutina das igrejas da Gália (469-542). Era um hino matinal sírio, fazendo parte até hoje dos ofícios bizantinos. Nos ofícios romanos foi incorporado nas missas para domingo e dias santos, salvo os das quadras penitenciais. Em geral é utilizado após a absolvição entretanto, conforme a forma utilizada no LOCb pode variar de lugar na liturgia (após a Coleta por Pureza ou nos Ritos Finais, sendo que no tempo do Advento e da Quaresma devem ser omitidos, assim como qualquer cântico de “Glória”);

e) Kyrie: já presente no clamor de Bartimeu, no Evangelho. Quando os cristãos passaram a incluir essa exclamação no ofício, estavam a confessar Jesus como único Senhor e negando a veneração divina a qualquer senhor deste mundo. “Kyrie Eleison” é, na sua origem, um clamor coletivo da comunidade pelas dores do mundo e não um clamor individual das pessoas pelo perdão dos seus pecados. Pode ser cantado como alternativa ao Glória, mas é usado como resposta ao Resumo da Lei na Ordem Penitencial, ou em resposta a cada afirmação do Decálogo;

f) Confissão, é uma confissão geral de pecados, que deve ser dita de joelhos. A referência foi colocada na revisão de 1675, por influência escocesa, pois que antes o presbítero permanecia de pé, o que ainda acontece na Inglaterra.

g) Absolvição, pode ser pronunciada pelo presbítero, ou pelo bispo, quando presente . Quem a pronunciar, fará voltado para o povo, porque se fala em o nome de Deus, cujas misericórdias não podem ser contadas e com Quem está o perfeito perdão.

h) Coleta do Dia: uma breve oração usada em conexão com alguma parte do culto. Originalmente, todas as litanias finalizavam com uma oração resumindo todas as petições e súplicas (a coleta da litania). Assim, desse papel da oração em reunir, coligir, proveio o nome de coleta (collectio, collecta). Coleta foi, pelo século VI, assimilada na coleta da litania que era usada a guisa de intróito ao ofício de comunhão. É devido a esse incidente que as nossas coletas de hoje, na sua grande maioria, tem como tema rogar pela graça e misericórdia divinas e, assim, como conclusão penitencial.
 

LITURGIA DA PALAVRA

a) Leituras: foi provavelmente São Jerônimo (340-420) quem primeiro escolheu e dispôs as Epístolas e os Evangelhos. A leitura do Antigo Testamento e Epístolas devem ser feitas do atril pelo(a) leitor(a). O Salmo do Dia deve de ser lido na forma antifonal e seguido do cântico (ou recitação) do Glória Patri (no tempo do Advento e da Quaresma devem ser omitidos, assim como qualquer cântico de “Glória”). O Evangelho é uma seleção de ensinamentos do ministério de Jesus e destina-se a proclamar algum evento da vida de Jesus ou alguns dos seus ensinos admiráveis. O Evangelho deve ser lido no meio da congregação, ou do púlpito (e não do atril), por um Diácono, quando presente, ou outro oficiante.

b) Sermão: após a última leitura bíblica e sua respectiva resposta pela comunidade, a Liturgia da Palavra continua com o Sermão, que deve versar sobre uma das leituras feitas, ou mesmo fazendo referência a todas.

c) Profissão de Fé: o Credo é a declaração oficial das verdades das Sagradas Escrituras sobre a qual se baseia a Igreja. Foi colocado na liturgia para combater as controvérsias. No Oriente, foi introduzido no ano 417, em Antioquia, e em Constantinopla no ano de 511. No Ocidente, o 3º Concílio de Toledo (589) ao inserir o Credo no rito mozárabe contra os arianos. Logo se difundiu na França; mas só foi incorporado à missa romana em 1014. O LOCb contém dois Credos: o Apostólico e o Niceno. O Credo dos Apóstolos é baseado no antigo Credo Romano, que se constituiu a partir do século II, em relação com a celebração do batismo. Foi provavelmente em Roma que tal texto se formou. O Credo Niceno, também conhecido como Niceno-Constantinopolitano, é uma paráfrase, um pouco aumentada, do Credo estabelecido pelo Concílio de Niceia, embora só fosse definitivamente elaborado pelo 2º Concílio, em Constantinopla, em 381. É o único Credo universalmente aceito. O LOCb ainda oferece outras formas de confissão alternativas

d) Oração dos Fiéis (Intercessões): as intercessões são feitas pela Igreja, seus membros e sua missão, pela nação e por todos que exercem autoridade, pela paz e salvação do mundo, pelas preocupações da comunidade local, pelos que sofrem, pelos que partiram.

LITURGIA DA EUCARISTIA

a) Ofertório, as sentenças do ofertório, que foram designadas para serem cantadas como antífonas (offertoria), servem agora somente para anunciar que se vai proceder à coleta nos serviços divinos e que vai começar o ato de oblação na ordem para a administração da Ceia do Senhor, podendo cantar-se um hino durante o mesmo. É parte invariável do culto desde o período apostólico (cf. 1Co 16.2). As salvas recebidas pelo ministro serão solenemente apresentadas e postas na Santa Mesa, passando depois para a credência, que é a mesa auxiliar. As ofertas partem do povo e significam seu respeito e louvor de gratidão a Deus. As oferendas serão apresentadas quando o povo estiver de pé. Faz-se, ainda, o ofertório ou apresentação dos elementos eucarísticos.

b) Saudação da Paz, feita após as intercessões, preparando para a o ofertório, é uma saudação entre as pessoas participantes do ofício litúrgico. O Novo Testamento menciona, como saudação, o ósculo santo, costume ainda comum nos povos orientais que, infelizmente, as igrejas ocidentais perderam (pode ser utilizada após a oração do Pai Nosso).

c) Oração Eucarística, a parte central, a parte sacrificial por excelência da Celebração da Santa Eucaristia. Sua correspondente nos ritos orientais é a “Anáfora”, e no romano, o “Cânon”. As palavras da Oração Eucarística não são fórmulas, mas uma oração que a comunidade dirige a Deus, conforme um padrão básico comum. Esse padrão parece estar preservado numa Oração Eucarística registrada na Tradição Apostólica de Hipólito de Roma e anotada por volta do ano 215:

I) Saudação, um diálogo introdutório, cuja origem é o judaica (Seder);

II) Sursum Corda, convida-se a comunidade a elevar seus corações, o que equivale dizer pensamentos, a Deus (é um dialogo entre o celebrante e os comungantes que precede à eucaristia em todas as liturgias históricas);

III) Ação de Graças, o celebrante convida a todos a participar das ações de graças. Com estes três elementos, forma-se a chamada: Introdução (ou Diálogo), Sursum Corda e Convite.

IV) Prefácio, há dois prefácios: um permanente e outro do dia (chamado também de Próprio). Permanente: ao dar graças pelas grandes obras de Deus no passado (como Criador e Redentor), a comunidade proclama a sua fé na continuidade de tais atos no futuro. A confiança na continuidade da fidelidade Deus é que permite à comunidade entrar na celebração da Eucaristia, com a certeza de que ali Cristo estará presente e se entregará às pessoas comungantes. Próprio: muda conforme o dia, e no rito romano é considerado como uma porção introdutória à Oração. No LOCb, há Prefácios Próprios para o Natal, Epifania, Purificação, Anunciação, Transfiguração, Páscoa, Ascensão, Pentecostes, Santíssima Trindade, todos os santos etc. São os grandes eventos da vida de Jesus ou de significação histórica e doutrinária para Igreja. Variam conforme o Calendário Cristão, representam a significação e intenção da eucaristia que se celebra.  Os prefácios são expressões de nosso louvor a Deus pelas fases grandiosas do mistério da encarnação e da salvação.

V)    Sanctus, o uso frequente do Sanctus no ritual judaico talvez tenha influenciado em sua inclusão na liturgia. Às vezes dá-se o nome de Triságio ao Sanctus.

VI) Benedictus, a saudação proferida pela multidão a Jesus quando de entrada triunfal em Jerusalém (Mt 21,9). Todas as liturgias anteriores à Constituição Apostólica (350) inserem o Benedictus após o Sanctus, exceto a liturgia do Egito. O LOC de 1549 uniu ao texto original do Sanctus o versículo de Lc 18.38, paráfrase que permaneceu, mesmo depois dos cortes feitos pela revisão de 1552.

VII) Memorial, refere-se à redenção. O rito romano se distingue pelo aspecto sacrificial, de modo que oblação é o tema que se nota por quase todo o cânone. O sacrifício, entretanto, é essencialmente eucarístico, isto é, trata-se de ação de graças pelos frutos da terra, pão e vinho, rogando que Deus os abençoe para a comunhão dos fiéis. Com o intuito de evitar que continuassem a interpretar as expressões do rito primitivo da eucaristia numa perpetuação do sacrifício do calvário, Cranmer eliminou toda a ideia de oblação dos elementos, fazendo com que as frases tivessem referência não aos elementos, mas às aspirações dos ofertantes, registrando na oração que o sacrifício e a morte de Jesus na cruz são únicas e definitivas.

VIII) Palavras da Instituição, em forma de uma narrativa, conforme pronunciadas por Jesus (cf., 1Co 11,24-25). A sua função é recontar o relato da Última Ceia de Jesus com seus discípulos, ou seja: autoridade para celebrar a Eucaristia não vem da comunidade, mas de Jesus na ultima ceia. Por isso, reconta-se aqui a narrativa da instituição. Ao dizer as palavras sobre o pão, ergue-se a hóstia, fazendo-se o mesmo com o cálice.

IX) Anamnese, in memoriam mei, não é mera lembrança, recordação, mas realização. A Anamnese chama, invoca uma pessoa ou um acontecimento do passado e o torna presente, ativo, efetivo, aqui e agora. “Seguindo o mandamento de Teu Filho, comemoramos, até que Ele venha”. A Anamnese torna eficiente ao comungante a obra de Jesus ocorrida no passado. O que aconteceu lá se torna válido, na Anamnese, ao comungante. Tem duas partes: , ela lembra aspectos essenciais da vida e obra de Jesus (a encarnação, a paixão, ressurreição e ascensão do Senhor; muitas vezes, cita também a mediação de Cristo à direita do Pai e sua Segunda vinda); 2ª, traz a declaração explícita de que se está aqui oferecendo o pão e o cálice, exatamente com esse significado e objetivo de celebrar a obra de Cristo, em obediência à Sua ordem.

X) Epiclese, termo grego, designa, normalmente, o pedido ao Pai, para que envie o Espírito Santo. Há dois tipos de epiclese nas Orações Eucarísticas: epiclese de consagração: invocação do Espírito sobre os elementos eucarístico, separando-os do uso comum ao sagrado; epiclese de comunhão: invocação do Espírito para que realize aquilo que é o fruto da Eucaristia, a comunhão em Cristo, sendo, assim, uma invocação do Espírito sobre a Igreja. Por meio dela se expressa que nem a pessoa oficiante, nem a comunidade, nem a Igreja são proprietárias da Eucaristia. Nenhuma delas tem em seu poder realizar o que a Eucaristia deve realizar, mas, somente Deus, por Seu Espírito.

XI) Intercessão pela Igreja, no mundo inteiro, pelos bispos, pelos ministros e fiéis, pelos falecidos que morreram na esperança da ressurreição, na memória dos santos e mártires, podendo ser uma intercessão geral.

XII) Doxologia, quer dizer “louvor”, “ação de graças”. A Oração Eucarística termina assim como começou. Trata-se de uma doxologia trinitária, ou seja, de uma exaltação da Trindade.

XIII) Amém.

d) Pai Nosso. Podendo seguir-se a saudação da paz, se não foi feita anteriormente.

e) Fração do Pão, ao partir dir-se-á um dos textos previstos no LOCb.

f) Agnus Dei, cântico primeiramente adotado na liturgia de São Tiago de Jerusalém, que pode ser dito ou cantado ou mesmo fazer a Oração de Humilde Acesso, ou ainda, cantar um hino apropriado.

g) Comunhão do Celebrante, que deverá ser feita enquanto se canta o Agnus Dei ou outro hino escolhido.

h) Comunhão dos presentes, que deve ser feita com os mesmos vindo á frente, ajoelhando-se, e com as palavras ditas pelo celebrante: “O corpo (sangue) de nosso Senhor Jesus Cristo te preserve na vida eterna”.

i) Coleta Pós Comunhão, o LOCb a insere como ação de graças depois da Comunhão. Neste ponto, retornou-se ao padrão das liturgias orientais, estabelecendo uma forma fixa.



RITOS FINAIS

a) Glória in Excelsis, se este cântico não foi feito ao início da liturgia, será incluído aqui, ao final do serviço religioso.

b) Bênção, retirada dos ritos romanos, continuou a ser usada nos ritos galicanos e naturalmente na Inglaterra, até ao tempo da Reforma, com formas variadas que se alteravam, conforme a estação eclesiástica, no Sarum. Era, porém, prerrogativa episcopal somente. No LOCb o ofício termina com uma bênção pronunciada pelo presbítero, em o nome de Deus. A bênção realizada pelo celebrante com os braços erguidos e a palma das mãos voltadas para baixo, sobre a congregação. Este é um gesto de imposição de mãos sobre os eclesianos.

c) Despedida, Cranmer deixou de lado o ite, missa est, substituindo pelo “vamos partir em paz” do rito bizantino, que lhe inspirou a buscar a frase de Paulo em Fl 4.7, com que se inicia a fórmula que temos em no LOCb, e que é privilégio do Diácono proferir.

 



* Rev. Carlos Alberto Chaves Fernandes, ofa, é Presbítero da Diocese do Recife (DAR); Pároco da Paróquia Anglicana da Santíssima Trindade, em Copacabana, Rio de Janeiro; Venerável Arcediago Sul-Sudeste; Frei da Ordem Franciscana Anglicana (OFA).

Capitalismo: Forma Neurótica de Destruir a Igreja?


"A desconstrução do cristianismo não é um ataque contra a igreja, mas a crítica dos ídolos a que é vulnerável - o literalismo eo autoritarismo, o sexismo eo racismo, o militarismo, o amor do capitalismo desenfreado com o qual a igreja em suas diversas formas tem hoje e por tempo demais estado presa, qualquer um destes é tóxico para o reino de Deus. "

"Estrategicamente, diplomaticamente, social, político, moral e economicamente, evangelicamente, em todos os sentidos possíveis somos testemunhas hoje de um ponto mais baixo na liderança norte-americana, uma catástrofe ético, social, político e bíblica."

 
fora de contexto, pode sugerir que a religião é a causa singular para a trajetória contínua de um pofunda disfunção em nossa sociedade. Mas uma forma popular distorcida do cristianismo catalisa outros dois ingredientes mais poderosos, o capitalismo predatório e um governo que serve os interesses do grande capital. Estes três poderosos componentes trabalham juntos para nos arrastam para baixo,  na inclinação para mais e mais disfunção em nome de uma sociedade mais moral - uma sociedade moral baseada em um conjunto de valores que são tão mal aplicados que tornam-se destrutivos.

Em outras palavras, esses três componentes criam uma sociedade moral que destrói suas próprias vilas a fim de salvá-las. Por exemplo, enquanto que martelamos as lições de individualismo radical na forma de virtude moral, podemos reduzir os recursos ou oportunidades necessárias para se tornar auto-sustentáveis ​​para grandes porções da nossa cidadania. Só para ter certeza que ninguém erra na lição moral de auto-suficiência, aumentamos  as taxas de juros sobre empréstimos estudantis, e a educação universitária vital e necessária para o sucesso no futuro torna-se menos acessível às massas.

Para ter certeza de nossas lições de moral continuam, mantemos nossos impostos baixos e aumentamos nossos gastos em defesa contra um inimigo imaginário e nosso sistema educacional é destruído para equilibrar o orçamento. Estamos amaldiçoados e com miopia. Não consigo ver os efeitos a longo prazo sobre o país quando a trabalhadores pouco qualificados, mão de obra minimamente educada deve arcar com a carga tributária do futuro ou competir com cidadãos altamente qualificados de outros países. Temos uma incrível capacidade de culpar as vítimas em nossa sociedade perturbada e justificar as nossas denúncias sobre a moralidade cristã revisionista que seria irreconhecível para o próprio Cristo. Não tanto porque o Cristianismo foi uma invenção de São Paulo, mas por causa do absurdo da atual interpretações revisionistas.

Esta forma moderna do cristianismo tornou-se um expediente para a infiltração de uma forma radical do capitalismo misturado com as nossas instituições públicas. As mesmas instituições que foram formados para proteger os interesses dos cidadãos, que estão agora a fazer a licitação dos mega ricos, enquanto aponta para o fracasso moral das massas que estavam destinados a servir. Sim, o Sr. Caputo, temos muitos ídolos. E embora eu esteja encorajado por seus esforços para desconstruir o cristianismo, eu duvido d a nossa capacidade ou vontade de realizar as mesmas ações com o capitalismo e governança.

Ele nunca passaria na Câmara dos Deputados. Essa casa tem todos todos os bons cristãos moralistas do Tea Party. Ao contrário, eles estão satisfeitos em manter os americanos dançando ao redor do bezerro de ouro, com a esperança improvável que, eventualmente, algumas das benesses do capitalismo ocorra em sua volta. Estamos com salário mínimo, milionários em espera, totalmente imerso nesta forma de idolatria, confiando em nosso dia vai chegar. Se há um pecado imperdoável, ele está usando a religião para separar e discriminar ao invés de conectar e fazer todo.

Em nome dos Estados Unidos, Mea Culpa!
            Robert De Filippis

Ver texto original em inglês no link:


O Que é Ser Contemporâneo?


Por Giorgio Agamben

O poeta – o contemporâneo – deve manter o olhar fixo em seu tempo. Mas que vê quem vê seu tempo, o sorriso demente de seu século? Contemporâneo é aquele que mantém o olhar fixo em seu tempo, para perceber não as suas luzes, mas sim as suas sombras. Todos os tempos são, para quem experimenta sua contemporaneidade, escuros. Contemporâneo é quem sabe ver essa sombra, quem está em condições de escrever umedecendo a pena nas trevas do presente. Mas o que significa "ver a escuridão", "perceber a sombra"?

Uma primeira resposta nos é sugerida pela neurofisiologia da visão. O que acontece quando nos encontramos em um ambiente sem luz, ou quando fechamos os olhos? O que é a sombra que vemos nesse momento? Os neurofisiologistas dizem-nos que a ausência de luz desinibe uma série de células periféricas da retina, chamadas, precisamente, de off-cells, que entram em atividade e produzem essa espécie particular de visão que chamamos de sombra. A sombra não é, portanto, um conceito privativo, a simples ausência de luz, algo como uma não visão, mas sim o resultado da atividade das off-cells, um produto da nossa retina. Isso significa (...) que perceber essa sombra não é uma forma de inércia ou de passividade, mas sim de algo que implica uma atividade e uma habilidade particulares, que, no nosso caso, equivalem a neutralizar as luzes que provêm da época para descobrir sua escuridão, sua sombra especial que não é, de todos os modos, separável dessas luzes.

Pode se chamar de contemporâneo só aquele que não se deixa cegar pelas luzes do século e que é capaz de distinguir nelas a parte da sombra, sua íntima escuridão. Por que o fato de poder perceber as trevas que provêm da época deveria nos interessar? Por acaso, a sombra não é uma experiência anônima e, por definição, impenetrável, algo que não está dirigido a nós e não pode, portanto, nos incumbir? Pelo contrário, contemporâneo é aquele que percebe a sombra de seu tempo como algo que lhe incumbe e que não cessa de interpelá-lo, algo que, mais do que qualquer luz, se refere direta e singularmente a ele. Quem recebe em pleno rosto o feixe de trevas que provém de seu tempo.

 A contemporaneidade se inscreve no presente marcando-o sobretudo como arcaico, e só quem percebe no mais moderno e recente os indícios e as signaturas do arcaico pode ser seu contemporâneo. Arcaico significa: próximo do "arché", ou seja, da origem. Mas a origem não está situada só em um passado cronológico: é contemporâneo ao devir histórico e não cessa de funcionar nele, como o embrião continua atuando nos tecidos do organismo maduro, e o bebê, na vida psíquica do adulto. A distância e, ao mesmo tempo, a proximidade que definem a contemporaneidade têm seu fundamento nessa proximidade com a origem, que em nenhum ponto bate com tanta força como no presente.

Os historiadores da literatura e da arte sabem que, entre o arcaico e o moderno, há um encontro secreto, e não tanto por causa do fato de que as formas mais arcaicas parecem exercer no presente um fascínio particular, mas sim porque a chave do moderno está oculta no imemorial e no pré-histórico. Assim, o mundo antigo, em seu final, se volta, para se reencontrar, para as origens: a vanguarda, que se extraviou no tempo, segue o primitivo e o arcaico. Nesse sentido, justamente, pode-se dizer que a via de acesso ao presente tem necessariamente a forma de uma arqueologia. Que não retrocede, porém, a um passado remoto, mas sim ao que, no presente, não podemos viver de nenhuma forma e, ao permanecer no vivido, é incessantemente reabsorvido para a origem, sem nunca poder alcançá-lo. Porque o presente não é outra coisa que a parte de não-vivido em cada vivido, e o que impede o acesso ao presente é justamente a massa do que, por alguma razão (seu caráter traumático, sua proximidade excessiva) não conseguimos viver nele

domingo, 21 de julho de 2013

Movimento Anglicano no Brasi - Teologia e Animais

Ministério da Catedral Anglicana de São Paulo
fundada em 1873
Bispos: Dom +Glauco Soares de Lima
Dom +Roger Bird
"Ubi caritas  Deus ibi est"

ANDREW LINZEY

Mudando a percepção sobre os animais

Eu não sei porque você se perturba tanto – eles são apenas animais, afinal de contas.”
Quantas vezes vocês já ouviram isso ? Embutida na frase está a crença que devemos desmascarar e confrontar:  a ideia de que animais são “apenas animais” – isto é, que eles são meras coisas, mercadorias, recursos para o nosso uso. O que devemos lutar é contra a percepção de que os animais não são nada além de coisas feitas para os humanos. Se hoje usamos animais de fazenda como apenas meios para os objetivos humanos é porque nossos ancestrais pensavam que isso seria verdade.
Mudar percepções é um processo difícil, árduo e arriscado. Antigamente, eu pensava que era fácil. Hoje eu reconheço que é uma das tarefas mais exigentes do mundo inteiro. As pessoas raramente querem repensar suas ideias, confrontar seus próprios preconceitos, desafiar os hábitos da mente e do corpo a que foram acostumados.
“Poucas pessoas pensam”, escreveu Bertrand Russell, “a maioria das pessoas preferiria morrer do que pensar, e a maioria delas na verdade fazem exatamente isso.” E ainda sem uma mudança de percepção – e uma mudança fundamental – não haverá futuro para o movimento de defesa dos animais. Campanhas, estratégias, petições, protestos – toda a parafernália do ativismo é essencial, é claro, mas por si própria dificilmente poderá causar a necessária mudança de percepção.
Se alguém examina os movimentos reformistas similares, pela abolição da escravatura ou a emancipação feminina, por exemplo, poderá ver em retrospecto o quão essencial – e simples – foram as visões fundamentais que motivaram esses movimentos:  o igual valor e dignidade de todas os seres humanos, negros ou brancos, homens e mulheres. O movimento dos animais tem a ver com a percepção do valor intrínseco dado por Deus à cada um dos seres sensíveis. À primeira vista, isso parece uma coisa simples, até elementar, mas eu pude ver que a maioria não tem essa mesma percepção – ou se têm, não querem demonstra-la.
Da forma como eu vejo, a nossa tarefa é encorajar, convidar e às vezes exortar as pessoas a olhar para os animais como mais do que se pensa que um “animal” é. Cada criatura é um ser sensível, vivente, que vale por si próprio e não pelo que pode nos dar em troca ou pelo uso que possamos dar a esse ser.
Esse trabalho, eu acredito, é uma tarefa principalmente espiritual. Para mim, os direitos dos animais têm a ver com uma percepção e luta espirituais. E por “espiritual” eu não quero dizer religião organizada, eu quero dizer uma consciência ampliada do valor da criação divinamente concedido e a abominação da crueldade como algo mau em si.
Em minha visão, o valor dos animais é algo a ser descoberto – uma descoberta de novos aspectos da psique humana.
Por quase 25 anos, eu tenho trabalhado com igrejas cristãs para tentar animá-las a serem o canal para essa nova sensibilidade. Infelizmente, as igrejas, que deveriam ser líderes no movimento de proteção aos animais, ainda não se envolveram. Mas mesmo que as igrejas sejam lentas para responderem às novas ideias, a teologia cristã pode dar um forte fundamento racional para as idéias que as próprias igrejas têm negligenciado.
De uma perspectiva teológica cristã, os animais não são nossa propriedade; nós não os possuímos. Não temos direitos absolutos nesse planeta:  somente o dever de cuidar. Afinal de contas, o quê esses animais são senão criaturas de Deus ? Se isso não puder dar uma base para o respeito necessário e urgente de suas vidas individuais, eu não sei o que mais poderá dar essa base.
Andrew Linzey, é pastor anglicano. É um teólogo internacionalmente conhecido por seus textos sobre cristianismo e os animais. Ele ensina na Faculdade de teologia da Universidade de Oxford e é titular da primeira cadeira de ética, teologia e bem estar animal de Blackfriars Hall (Universidade de Oxford). Ele dirige o Centre for Animal Ethics de Oxford. Há pouco tempo começou a ensinar ética animal na Graduate Theological Foundation (em Indiana). Andrew Linzey escreveu mais de 180 artigos; ele é co-autor de cerca de vinte livros, dentre os quais figuram: 
Animal Rights: A Christian Perspective (1976)
Animal Theology (1994)
Animal Gospel (1998)
Animal Rites: Liturgies of Animal Care (1999)
Gays and the Future of Anglicanism (2005)
Creatures of the Same God (2007)
Oxford Centre for Animal Ethics
O Oxford Centre for Animal Ethics, inaugurado em novembro de 2006 foi criado a partir da iniciativa de seu diretor, Andrew Linzey. O projeto é apoiado por uma centena de intelectuais e universitários, dentre os quais está o prêmio Nobel J.M. Coetzee. O centro é uma instituição independente de ensino, pesquisa e publicação sobre a ética animal e tem como objetivo criar um pólo intelectual que trabalhe para a melhoria do estatuto moral dos animais.
O artigo do Professor Linzey faz parte de uma série sobre “Literatura Teológica” que foi publicada em 97/98 no BTI Newsletter/Mansfield College, Oxford University BTI Newsletter, Volume XXVII, Nro. 28 15/04/1998

domingo, 7 de julho de 2013

Movimento Anglicano no Brasil-Celebração em 07/07/2013


Ministério da Catedral Anglicana de São Paulo
fundada em 1873
Bispos: Dom +Glauco Soares de Lima
Dom +Roger Bird
"Ubi caritas  Deus ibi est"






sexta-feira, 5 de julho de 2013

ANTIGA BÊNÇÃO CELTA

MOVIMENTO ANGLICANO NO BRASIL
Ministério da Catedral Anglicana de São Paulo
fundada em 1873
Bispos: Dom +Glauco Soares de Lima
Dom +Roger Bird
"Ubi caritas  Deus ibi est"
Onde há amor  aí Deus está.

Que o caminho venha ao teu encontro.
Que o vento  sopre manso às tuas costas.
Que o sol brilhe leve em teu rosto
E a chuva caia suave sobre teus campos.
Lembra sempre de esquecer as coisas que te entristeceram,
Porém lembre-se  daquelas que te alegraram.
Lembra sempre de esquecer os amigos que se revelaram falsos,
Porém lembre também daqueles que permaneceram fiéis
Que os amigos reunidos debaixo do teu teto nunca partam.
Que teus vizinhos te respeitem, os problemas te abandonem,
Que teus bolsos estejam pesados e teu coração leve.
Que a boa sorte te persiga, e a cada dia e
Em cada noite tenha muros contra o vento,
Um teto para a chuva, bebidas junto ao fogo,
Risadas que consolem aqueles a quem amas,
E que teu coração se preencha com tudo o que desejas.
Que o dia mais triste de teu futuro
Seja melhor  que o dia mais feliz de teu passado.
E até que voltemos a nos encontrar,
Que Deus te sustente suavemente na palma de sua mão.

E não aperte muito seus dedos.

terça-feira, 4 de junho de 2013

O Poder do Saber


Na visão foucaultiana, a sociedade moderna caracteriza-se pela produção de indivíduos docilizados pela ação de formas de micropoder baseados no sistema disciplinar formado por escolas, fábricas e prisões


por Ana Paula Meyer Velloso*



Com o advento do Estado Moderno, Michel Foucault (1926-1984) acreditava que surgira uma liberal democracia com seu quadro jurídico formalmente igualitário e o estabelecimento das instituições representativas, mas, ao lado desse poder codificado juridicamente sob a forma de soberania popular, surgia uma nova instância de poder extrajurídica: a disciplina. A forma jurídica geral, que garantia direitos igualitários a todos, tinha como substrato esses mecanismos cotidianos e físicos, esses sistemas de micropoder essencialmente não igualitários e dissimétricos constitutivos da disciplina. A sociedade moderna, para Foucault, se baseia na produção do indivíduo disciplinar.

De acordo com Foucault, as sociedades modernas são formadas por uma rede de instituições disciplinares: a escola, a fábrica, a caserna. O sujeito é constituído por práticas disciplinares. A sociedade como um todo é constituída sobre o modelo carceral, formado pelas suas instâncias de vigilância, controle. O objetivo dessas práticas era a produção de corpos dóceis, a produção social da docilidade por meio das tecnologias do poder. As relações sociais modernas têm na base uma relação de força que é constituída historicamente, a ordem civil é apenas aparente, uma trégua que se instala, as lutas e conflitos sociais são resquícios dessa guerra.

De dentro dessas instituições disciplinares que formam a sociedade, o poder emana não somente do estado, mas também dos indivíduos, mais precisamente dos indivíduos que detêm um certo conhecimento científico. Foucault sempre demonstrou desprezo pela objetividade do saber e da ciência, defendendo a ideia de que o saber não é objetivo, pois sua validade é comprometida por uma gênese extracientífica, funcionando a serviço de fins extracientíficos. A ciência das riquezas é substituída pela economia política, cujo cerne secreto está no trabalho, a história natural é substituída pela biologia, cujo núcleo invisível é a vida, e a gramática geral é substituída pela filologia, cuja essência latente é a história. Se o homem se define por suas relações com a vida, o trabalho e a linguagem, as ciências do homem tendem a girar em torno da biologia, da economia política e da filologia. Mas, para Foucault, nenhuma delas pode ser considerada ciências humanas, pois o objeto dessas ciências não é o homem, como deveria ser, e sim a representação que o homem tem em um ambiente criado.

Poder e saber são correlativos. Não há poder sem seu regime de verdade, cada sociedade tem os tipos de discursos que ela acolhe e faz funcionar como verdadeiros e também possui os mecanismos e as instâncias que permitem distinguir os discursos falsos dos verdadeiros. Foucault idealizava uma consciência intuitiva, não contaminada pela razão, ele não combate o saber, não exalta o não saber. Apenas registra a funcionalização do saber a serviço do poder.

VIGIAR E PUNIR
Livro adotado em cursos de direito, filosofia, ciências sociais, história e pedagogia, Vigiar e Punir, do filósofo francês Michel Foucault, estuda a história das legislações e das técnicas coercitivas. Lançado na França em 1975, a obra de Foucault é dividida em quatro partes: "Suplício", "Punição", "Disciplina" e "Prisão". Uma de suas passagens mais célebres narra o "panoptismo", com a descrição do Panóptico, centro penitenciário desenvolvido pelo filósofo utilitarista Jeremy Bentham (1748-1832), cujo sistema de vigilância, no qual os presos não sabiam se estavam ou não sendo observados, serviu como metáfora para o poder disciplinar no mundo moderno.

*Ana Paula Meyer Velloso é mestre e doutoranda em Ciências Sociais pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).