domingo, 21 de julho de 2013

Movimento Anglicano no Brasi - Teologia e Animais

Ministério da Catedral Anglicana de São Paulo
fundada em 1873
Bispos: Dom +Glauco Soares de Lima
Dom +Roger Bird
"Ubi caritas  Deus ibi est"

ANDREW LINZEY

Mudando a percepção sobre os animais

Eu não sei porque você se perturba tanto – eles são apenas animais, afinal de contas.”
Quantas vezes vocês já ouviram isso ? Embutida na frase está a crença que devemos desmascarar e confrontar:  a ideia de que animais são “apenas animais” – isto é, que eles são meras coisas, mercadorias, recursos para o nosso uso. O que devemos lutar é contra a percepção de que os animais não são nada além de coisas feitas para os humanos. Se hoje usamos animais de fazenda como apenas meios para os objetivos humanos é porque nossos ancestrais pensavam que isso seria verdade.
Mudar percepções é um processo difícil, árduo e arriscado. Antigamente, eu pensava que era fácil. Hoje eu reconheço que é uma das tarefas mais exigentes do mundo inteiro. As pessoas raramente querem repensar suas ideias, confrontar seus próprios preconceitos, desafiar os hábitos da mente e do corpo a que foram acostumados.
“Poucas pessoas pensam”, escreveu Bertrand Russell, “a maioria das pessoas preferiria morrer do que pensar, e a maioria delas na verdade fazem exatamente isso.” E ainda sem uma mudança de percepção – e uma mudança fundamental – não haverá futuro para o movimento de defesa dos animais. Campanhas, estratégias, petições, protestos – toda a parafernália do ativismo é essencial, é claro, mas por si própria dificilmente poderá causar a necessária mudança de percepção.
Se alguém examina os movimentos reformistas similares, pela abolição da escravatura ou a emancipação feminina, por exemplo, poderá ver em retrospecto o quão essencial – e simples – foram as visões fundamentais que motivaram esses movimentos:  o igual valor e dignidade de todas os seres humanos, negros ou brancos, homens e mulheres. O movimento dos animais tem a ver com a percepção do valor intrínseco dado por Deus à cada um dos seres sensíveis. À primeira vista, isso parece uma coisa simples, até elementar, mas eu pude ver que a maioria não tem essa mesma percepção – ou se têm, não querem demonstra-la.
Da forma como eu vejo, a nossa tarefa é encorajar, convidar e às vezes exortar as pessoas a olhar para os animais como mais do que se pensa que um “animal” é. Cada criatura é um ser sensível, vivente, que vale por si próprio e não pelo que pode nos dar em troca ou pelo uso que possamos dar a esse ser.
Esse trabalho, eu acredito, é uma tarefa principalmente espiritual. Para mim, os direitos dos animais têm a ver com uma percepção e luta espirituais. E por “espiritual” eu não quero dizer religião organizada, eu quero dizer uma consciência ampliada do valor da criação divinamente concedido e a abominação da crueldade como algo mau em si.
Em minha visão, o valor dos animais é algo a ser descoberto – uma descoberta de novos aspectos da psique humana.
Por quase 25 anos, eu tenho trabalhado com igrejas cristãs para tentar animá-las a serem o canal para essa nova sensibilidade. Infelizmente, as igrejas, que deveriam ser líderes no movimento de proteção aos animais, ainda não se envolveram. Mas mesmo que as igrejas sejam lentas para responderem às novas ideias, a teologia cristã pode dar um forte fundamento racional para as idéias que as próprias igrejas têm negligenciado.
De uma perspectiva teológica cristã, os animais não são nossa propriedade; nós não os possuímos. Não temos direitos absolutos nesse planeta:  somente o dever de cuidar. Afinal de contas, o quê esses animais são senão criaturas de Deus ? Se isso não puder dar uma base para o respeito necessário e urgente de suas vidas individuais, eu não sei o que mais poderá dar essa base.
Andrew Linzey, é pastor anglicano. É um teólogo internacionalmente conhecido por seus textos sobre cristianismo e os animais. Ele ensina na Faculdade de teologia da Universidade de Oxford e é titular da primeira cadeira de ética, teologia e bem estar animal de Blackfriars Hall (Universidade de Oxford). Ele dirige o Centre for Animal Ethics de Oxford. Há pouco tempo começou a ensinar ética animal na Graduate Theological Foundation (em Indiana). Andrew Linzey escreveu mais de 180 artigos; ele é co-autor de cerca de vinte livros, dentre os quais figuram: 
Animal Rights: A Christian Perspective (1976)
Animal Theology (1994)
Animal Gospel (1998)
Animal Rites: Liturgies of Animal Care (1999)
Gays and the Future of Anglicanism (2005)
Creatures of the Same God (2007)
Oxford Centre for Animal Ethics
O Oxford Centre for Animal Ethics, inaugurado em novembro de 2006 foi criado a partir da iniciativa de seu diretor, Andrew Linzey. O projeto é apoiado por uma centena de intelectuais e universitários, dentre os quais está o prêmio Nobel J.M. Coetzee. O centro é uma instituição independente de ensino, pesquisa e publicação sobre a ética animal e tem como objetivo criar um pólo intelectual que trabalhe para a melhoria do estatuto moral dos animais.
O artigo do Professor Linzey faz parte de uma série sobre “Literatura Teológica” que foi publicada em 97/98 no BTI Newsletter/Mansfield College, Oxford University BTI Newsletter, Volume XXVII, Nro. 28 15/04/1998

domingo, 7 de julho de 2013

Movimento Anglicano no Brasil-Celebração em 07/07/2013


Ministério da Catedral Anglicana de São Paulo
fundada em 1873
Bispos: Dom +Glauco Soares de Lima
Dom +Roger Bird
"Ubi caritas  Deus ibi est"






sexta-feira, 5 de julho de 2013

ANTIGA BÊNÇÃO CELTA

MOVIMENTO ANGLICANO NO BRASIL
Ministério da Catedral Anglicana de São Paulo
fundada em 1873
Bispos: Dom +Glauco Soares de Lima
Dom +Roger Bird
"Ubi caritas  Deus ibi est"
Onde há amor  aí Deus está.

Que o caminho venha ao teu encontro.
Que o vento  sopre manso às tuas costas.
Que o sol brilhe leve em teu rosto
E a chuva caia suave sobre teus campos.
Lembra sempre de esquecer as coisas que te entristeceram,
Porém lembre-se  daquelas que te alegraram.
Lembra sempre de esquecer os amigos que se revelaram falsos,
Porém lembre também daqueles que permaneceram fiéis
Que os amigos reunidos debaixo do teu teto nunca partam.
Que teus vizinhos te respeitem, os problemas te abandonem,
Que teus bolsos estejam pesados e teu coração leve.
Que a boa sorte te persiga, e a cada dia e
Em cada noite tenha muros contra o vento,
Um teto para a chuva, bebidas junto ao fogo,
Risadas que consolem aqueles a quem amas,
E que teu coração se preencha com tudo o que desejas.
Que o dia mais triste de teu futuro
Seja melhor  que o dia mais feliz de teu passado.
E até que voltemos a nos encontrar,
Que Deus te sustente suavemente na palma de sua mão.

E não aperte muito seus dedos.

terça-feira, 4 de junho de 2013

O Poder do Saber


Na visão foucaultiana, a sociedade moderna caracteriza-se pela produção de indivíduos docilizados pela ação de formas de micropoder baseados no sistema disciplinar formado por escolas, fábricas e prisões


por Ana Paula Meyer Velloso*



Com o advento do Estado Moderno, Michel Foucault (1926-1984) acreditava que surgira uma liberal democracia com seu quadro jurídico formalmente igualitário e o estabelecimento das instituições representativas, mas, ao lado desse poder codificado juridicamente sob a forma de soberania popular, surgia uma nova instância de poder extrajurídica: a disciplina. A forma jurídica geral, que garantia direitos igualitários a todos, tinha como substrato esses mecanismos cotidianos e físicos, esses sistemas de micropoder essencialmente não igualitários e dissimétricos constitutivos da disciplina. A sociedade moderna, para Foucault, se baseia na produção do indivíduo disciplinar.

De acordo com Foucault, as sociedades modernas são formadas por uma rede de instituições disciplinares: a escola, a fábrica, a caserna. O sujeito é constituído por práticas disciplinares. A sociedade como um todo é constituída sobre o modelo carceral, formado pelas suas instâncias de vigilância, controle. O objetivo dessas práticas era a produção de corpos dóceis, a produção social da docilidade por meio das tecnologias do poder. As relações sociais modernas têm na base uma relação de força que é constituída historicamente, a ordem civil é apenas aparente, uma trégua que se instala, as lutas e conflitos sociais são resquícios dessa guerra.

De dentro dessas instituições disciplinares que formam a sociedade, o poder emana não somente do estado, mas também dos indivíduos, mais precisamente dos indivíduos que detêm um certo conhecimento científico. Foucault sempre demonstrou desprezo pela objetividade do saber e da ciência, defendendo a ideia de que o saber não é objetivo, pois sua validade é comprometida por uma gênese extracientífica, funcionando a serviço de fins extracientíficos. A ciência das riquezas é substituída pela economia política, cujo cerne secreto está no trabalho, a história natural é substituída pela biologia, cujo núcleo invisível é a vida, e a gramática geral é substituída pela filologia, cuja essência latente é a história. Se o homem se define por suas relações com a vida, o trabalho e a linguagem, as ciências do homem tendem a girar em torno da biologia, da economia política e da filologia. Mas, para Foucault, nenhuma delas pode ser considerada ciências humanas, pois o objeto dessas ciências não é o homem, como deveria ser, e sim a representação que o homem tem em um ambiente criado.

Poder e saber são correlativos. Não há poder sem seu regime de verdade, cada sociedade tem os tipos de discursos que ela acolhe e faz funcionar como verdadeiros e também possui os mecanismos e as instâncias que permitem distinguir os discursos falsos dos verdadeiros. Foucault idealizava uma consciência intuitiva, não contaminada pela razão, ele não combate o saber, não exalta o não saber. Apenas registra a funcionalização do saber a serviço do poder.

VIGIAR E PUNIR
Livro adotado em cursos de direito, filosofia, ciências sociais, história e pedagogia, Vigiar e Punir, do filósofo francês Michel Foucault, estuda a história das legislações e das técnicas coercitivas. Lançado na França em 1975, a obra de Foucault é dividida em quatro partes: "Suplício", "Punição", "Disciplina" e "Prisão". Uma de suas passagens mais célebres narra o "panoptismo", com a descrição do Panóptico, centro penitenciário desenvolvido pelo filósofo utilitarista Jeremy Bentham (1748-1832), cujo sistema de vigilância, no qual os presos não sabiam se estavam ou não sendo observados, serviu como metáfora para o poder disciplinar no mundo moderno.

*Ana Paula Meyer Velloso é mestre e doutoranda em Ciências Sociais pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Uma Igreja Pública



Uma Igreja Pública: Quatro Breves Teses

Autor: Julio Zabatiero

Indo direto ao ponto:

Tese 1. as igrejas cristãs na atualidade são instituições privadas que entram, de modo privado, nos espaços públicos. Que quero dizer com esta "tese"? quando examinamos a ação e as declarações missionárias das igrejas cristãs no Brasil atual, encontramos práticas e teorias que têm como objetivo primordial o "crescimento" das instituições eclesiais, tanto do ponto de vista numérico, quanto do ponto de vista de sua influência sobre a sociedade e o Estado, com vistas a impor uma moralidade "cristã" ao conjunto da sociedade. Há exceções, mas esta é, a meu ver, a regra geral.

Tese 2. as igrejas cristãs são instituições privadas similares a quaisquer outras instituições no tocante ao seu patrimônio e materialidade, mas livres da ingerência do Estado no que tange à religião propriamente dita. Instituições privadas, posto que a religião não tem caráter "público" no sentido de ser legalmente obrigatória para os habitantes de nosso país. Se queremos liberdade de religião, precisamos assumir o caráter privado das instituições religiosas e eclesiais. Como instituições privadas, as igrejas não podem ser reguladas pelo Estado naquilo que é especificamente "religioso" - podem, sim, ser reguladas pelo Estado naquilo que é "secular": terrenos e prédios, salários e contratações, impostos, etc.

Tese 3. as igrejas cristãs são instituições privadas que devem entrar, de modo público, nos espaços públicos. Dado o caráter peculiar da instituição religiosa, sua entrada nos espaços públicos (estatais e não-estatais) deveria se dar de modo "público", ou seja, no modo da prestação de serviço - dentro dos limites da identidade eclesial - à sociedade e ao Estado. Exemplos: socorrer pessoas cuja vida está sob ameaça interna ou externa; ajudar a formar cidadãs e cidadãos solidários; acolher pessoas "fracassadas" na vida (conforme os padrões de sucesso do mundo capitalista); ajudar as pessoas a serem saudáveis psiquicamente; etc.

Tese 4. as igrejas cristãs que atuam de modo público nos espaços públicos dão testemunho do reinado de Deus, no estilo do Messias Jesus. "O Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir ...". Uma igreja cristã que serve, no estilo jesuânico, não precisa entrar privadamente nos espaços públicos a fim de crescer e se multiplicar. Quando uma igreja entra publicamente nos espaços públicos seu testemunho do Evangelho se enche de credibilidade e o próprio "Senhor acrescenta os que vão sendo salvos".

Obs.: o texto foi postado na íntegra, não fiz correção, nada. Está do jeito que o autor publicou.

sábado, 18 de maio de 2013

Dom Glauco Soares de Lima

Bispo Dom Glauco Soares de Lima, apesar de toda a sua trajetória de liderança na IEAB, de ter ajudado muita gente (inclusive com dinheiro), não aparece mais no site dessa instituição como membro da Câmara dos Bispos. Não houve nenhum comunicado oficial dessa "exclusão". Dom Glauco é um dos poucos pastores vocacionados, com verdadeiro dom de cuidar de pessoas, com conhecimento intelectual, com verdadeiras amizades no Brasil e no mundo. Dom Glauco tem ainda o pensamento muito lúcido apesar da idade. Se a IEAB tem coragem de ignorar um bispo desse porte e deixar os medíocres, então, significa que a instituição perdeu o rumo do amor cristão. Dom Glauco, agora, merece maior cuidado (retorno) da instituição que ajudou a crescer e estabelecer Brasil. Se o cuidado não for por misericórdia ou por compaixão, que seja pela Lei do Idoso. 
Para quem não sabe, Dom Glauco apoia a Catedral Anglicana de São Paulo.

 Aroldo da Cruz Lara

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Resgate Teológico dos Animais

Sobre a Teologia da Libertação Animal: o texto abaixo é para se pensar... sobre a igualdade entre as criaturas
 
"Observei outra coisa debaixo do sol: em lugar do direito, encontra-se a injustiça; e, em lugar do justo, encontra-se o injusto. E concluí que o justo e o injusto estão debaixo do julgamento de Deus, porque existe um tempo para cada coisa e um julgamento para cada ação. Quanto aos homens, penso assim: Deus os coloca à prova, para mostrar que eles, em si mesmos, são como animais. De fato, o destino do homem e do animal são idênticos: do modo que morrem estes, morrem também aqueles. Uns e outros têm o mesmo sopro vital, sem que o homem tenha vantagem nenhuma sobre o animal, porque tudo é fugaz. Uns e outros vão para o mesmo lugar: vêm do pó, e voltam para o pó. Quem pode saber se o sopro vital do homem sobe para o alto, e o do animal desce para baixo da terra?"
 
Eclesiastes
 
Recomendo a leitura do artigo de Mestrado do Rev. Jerson Darif  (em conjunto com Prof. Dr. Mário Antônio Sanches - PUC - Pr) sobre sobre o "resgate teológico dos animais não humanos":
 
 
Boa leitura!
 
Aroldo da Cruz Lara

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Mitos e Verdades Sobre a "Igreja Anglicana"

(1) Há quem pense que “Igreja Anglicana” é uma denominação única. Isso não é verdade. Há dezenas de denominações anglicanas (ver em: http://www.anglicansonline.org/communion/nic.html). A Comunhão Anglicana não é uma denominação, mas, como o nome diz, uma comunhão. Há igrejas anglicanas (a maioria) que fazem parte dessa comunhão e outras que não fazem parte. Algumas delas estão ligadas ao movimento “continuante” e outras ao movimento “confessante”.

(2) Há quem pense que a igreja anglicana foi fundada pelo rei Henrique VIII, da Inglaterra, em 1534. Isso não é verdade. A igreja estava presente na Inglaterra desde os primórdios do cristianismo e florescia entre os povos celtas que ali haviam se estabelecido. No século VII (664 d.C.), no Sínodo de Whitby, a Igreja da Inglaterra subordinou-se ao papa e passou a ser a Igreja Romana na Inglaterra, situação que perdurou até Henrique VIII.

(3) Há quem pense que a igreja anglicana tornou-se “protestante” sob Henrique VIII. Isso não é verdade. Esse rei, que tinha o título de “Defensor da Fé”, outorgado pelo papa, apenas assumiu o governo da igreja; a fé e a prática religiosa continuaram as mesmas. Somente quando sua filha, Elizabeth I, assumiu o trono é que a igreja anglicana, de fato, assumiu a teologia protestante, mantendo, porém, a liturgia histórica, tradicional, consubstanciada no LOC – Livro de Oração Comum, cuja primeira edição data do Domingo de Pentecostes de 1549, sob os auspícios do do rei Eduardo VI, também protestante, e do arcebispo de Cantuária (Canterbury), Thomas Cranmer. Elizabeth instituiu a Via media, imaginando que a Igreja da Inglaterra poderia servir de ponte entre Roma e Genebra, ou seja, entre o catolicismo romano e o protestantismo.

(4) Há quem pense que a igreja anglicana é uma igreja católica (no sentido de “romana”). Isso não é verdade. Católica é toda igreja que está de acordo com o que é crido e praticado por todas as igrejas em todos os lugares e em todos os tempos. Quanto a este aspecto, a igreja anglicana é católica, pois não adota heresias em suas declarações de fé. Mas não é “romana”, não está sujeita ao papa, nem adota seus particulares dogmas e práticas: a transubstanciação dos elementos da eucaristia, oração pelos mortos, celibato obrigatório dos padres, veneração da virgem Maria e dos santos canonizados, imaculada conceição de Maria, assunção corporal de Maria ao céu, o sacrifício da missa (a missa anglicana é um culto), purgatório, infalibilidade do papa, obras meritórias para a salvação da alma, a tradição com o mesmo valor das Escrituras Sagradas, e outros.

(5) Há quem pense que as ordens anglicanas não são válidas, em virtude da bula Apostolicae Curae, de Leão XIII, que, em 1896, declarava: “as ordenações feitas segundo o rito anglicano são totalmente inválidas e inteiramente vãs”. Isso não é verdade. O papa só tem autoridade para reconhecer ou deixar de reconhecer atos e sacramentos de sua igreja, quer dizer, a romana. O que ocorre no âmbito do anglicanismo não é da competência nem da jurisdição do bispo de Roma. Houve quem não reconhecesse a validade do apostolado de Paulo. Sua resposta foi que seu apostolado tinha um selo: aqueles que o reconheciam (1 Co 9.2-3).

(6) Há quem pense que todos os anglicanos são fissurados pela “sucessão apóstólica”. Isso não é verdade. Há anglicanos evangelicais que não dão a mínima para a sucessão apostólica; eles entendem que essas listas de bispos desde os apóstolos são ficção (algumas delas são reconhecidamente forjadas) e que não há como comprovar documentalmente a veracidade de nenhuma delas [ver: http://wp.me/p6xvX-cd].

(7) Há quem pense que todos os anglicanos são a favor da prática homossexual. Isso não é verdade. A maioria dos anglicanos é contra essa prática, tendo-a como antibíblica e abominável.

(8) Há quem pense que todas as igrejas anglicanas ordenam homossexuais ao ministério. Isso não é verdade. A maioria dos anglicanos é contra essa prática, tendo-a como antibíblica e abominável.

(9) Há quem pense que todos os anglicanos são contra a ordenação feminina ao ministério. Isso não é verdade. Há igrejas que ordenam diaconisas; outras que ordenam diaconisas e presbíteras; e outras que também ordenam episcopisas (bispas).

(10) Há quem pense que todos os anglicanos são a favor da prática do aborto. Isso não é verdade. A maioria dos anglicanos é contra essa prática, tendo-a como antibíblica e abominável.

(11) Há quem pense que todos os anglicanos são a favor das relações extraconjugais quando os cônjuges concordam entre si com elas. Isso não é verdade. A maioria dos anglicanos é contra essa prática, tendo-a como antibíblica e abominável.

(12) Há quem pense que todos os anglicanos são contra o uso das vestes clericais, inclusive a mitra e o báculo pelos bispos. Isso não é verdade. A maioria das igrejas anglicanas adota as vestes clericais e seus bispos usam livremente a mitra, o báculo e outros adereços, como a cruz peitoral, o anel episcopal, estolas com as cores litúrgicas. Nas missas também pode haver velas, incenso, procissões, vênias.

(13) Há quem pense que todas as igrejas anglicanas são anglo-católicas, ou seja, têm práticas devocionais semelhantes à igreja romana, especialmente a veneração de Maria e a oração “Ave Maria”. Isso não é verdade. No anglicanismo, há os anglo-católicos, os evangelicais, os reformados, os carismáticos; há calvinistas, arminianos, liberais, tradicionalistas, fundamentalistas, tico-tico-no-fubá, maria-vai-com-as-outras. Muitos evangélicos não entendem como os anglicanos conseguem conviver pacificamente (nem sempre) com essas práticas e crenças conflitantes. Esse é o fenômeno da inclusividade, tolerância que é reflexo da Via media de Elizabeth I.

+Bispo José Moreno
Anglicanos livres, a serviço do reino de Deus
Rio de Janeiro: (21) 3514-7067 / 8328-0813
São Paulo: (11) 4063-8861
Belo Horizonte: (31) 4062-7631
http://www.anglicanalivre.org.br
E-mail: anglicanalivre@gmail.com

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Capela Anglicana da Virgem Maria

A Capela Anglicana da Virgem Maria em Curitiba, chamada de Paróquia da "Acolhida Radical", oferece os seguintes atendimentos à toda Comunidade:

1. Batizados
2. Bênção nos Lares
3. Casamentos Religiosos
4. Bênção da Saúde
5. Mediação de Conflitos
6. Aconselhamento Espiritual
7. Exéquias

 Contato: (41) 9992-1575

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Identidade Anglicana

Texto parcialmente adaptado de John L. Later

 O termo “anglicanismo” tem como conteúdo histórico, em primeiro lugar, a história da Igreja na Inglaterra. Teve influência no sec. XVI no ambiente da Reforma protestante ligada ao nacionalismo inglês. Não tinha o conceito de “comunhão” anglicana, mas tinha a necessidade de um governo episcopal. No reinado da Rainha Elisabeth a nascente igreja britânica se relacionou (dialogou) com as igrejas reformadas e luteranas como igrejas irmãs. A autêntica identidade eclesial era que todas tivessem como base teológica a crença nos Evangelhos. Porém, existem muitos elementos que não são compartilhados por outras correntes de fé por serem exclusivamente inglês (anglicanos).

Em 1930 a Conferência de Lambeth descreveu aa igrejas da comunhão anglicana como ”igrejas particulares ou nacionais, que como tais, promovem dentro de cada um dos seus territórios uma expressão nacional e autêntica da fé cristã”. Esse seria o início de um conceito de identidade e missão dos anglicanos. Identidade e missão que precisam ser relevantes em nosso contexto histórico nacional. No Brasil, no momento histórico atual, a comunhão anglicana brasileira tenta sobreviver em meio a instabilidade teológica, política e financeira. Aprisionado pelos cânones e distantes do Evangelho, tentamos encontrar nossa identidade perdida.

O “novo” Movimento Anglicano no Brasil vem a esse encontro, vem trazer nova à vida à identidade da Igreja anglicana nacional.

Igreja, anglicana ou não, é lugar de Vida.

 

Aroldo da Cruz Lara